Quero chorar até me secarem as lágrimas quero sofrer até que o coração pare quero amar até morrer... e não me esquecer de continuar a amar e velar por vós...
Corro atrás de tudo ... ... para depois ter de esperar! Quero ver o fim de cada coisa ... ... para mais tarde ter de recomeçar! Leio, rescrevo, organizo ... ... sem ter necessidade de organizar! Continuo a amar a vida ... …sem verdadeiramente a desfrutar! Tenho pressa de viver ... …e vejo a vida, rapidamente, a passar!
Mas nada faz sentido!
Correr para quê? …se depois tenho de esperar… Ver o fim de cada coisa, para quê? …se depois tenho de recomeçar… Organizar para quê? … se ninguém vai reparar… Amar a vida porquê? …se não a estou a desfrutar…
- Sou fósforo a arder! - Sou vela a queimar! - Sou gelo a derreter! - Sou balão a esvaziar!
Tenho de parar… tenho de parar… … para me reinventar!
"As palavras devem ser usadas com sabedoria Quando tal não acontece Que seja com sentimento, Com verdadeiro sentimento... Não temos o total conhecimento Há tanta palavra para ser usada Tanto verbo a ser posto em prática Uma verdadeira fartura de beleza... Falo de uma forma constante Falo pausadamente Não lanço palavras ocas Nem termos incompreenssíveis... Escrevo com garra Transporto o meu sentimento O pensamento é coerente E a escrita frenética Transmite o que me vai na alma... Cuidado com a palavra, Ela tem a força necessária para destruir E força imensurável para erguer... Usa essa força com sabedoria, Com calma, Sem agressividade, Com a maturidade natural de cada fase da vida E tal como um gesto, Uma palavras, uma frase, um poema, Podem pedir ou dar E podes ver a palavra semeada E o pedido colhido ou realizado..." beijos
O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou. Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas.
Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal. O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silencio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu.
Senão, vejamos: Na última quarta-feira, estávamos:
1. Eu 2. Um crioulinho muito bem vestido, 3. Um senhor de uns cinqüenta anos e 4. Uma velha gorda.
Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do principio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.
(2) O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para leva-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba"? Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
(3) E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía asunhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
(4) Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e Baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.
Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera. Ele ri, ..... Ri muito, o meu psicanalista, e diz:
- O Ditinho é o nosso office-boy. - O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades. - E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe. - E você, não vai ter alta tão cedo..."
***PAZ***
Certa vez houve um concurso de pintura e o primeiro lugar seria dado ao quadro que melhor representasse a paz. Ficaram, dentre muitos, três finalistas igualmente empatados. O primeiro retratava uma imensa pastagem com lindas flores e borboletas que bailavam no ar acariciadas por uma brisa suave. O segundo mostrava pássaros a voar sob nuvens brancas como a neve em meio ao azul anil do céu. O terceiro mostrava um grande rochedo sendo açoitado pela violência das ondas do mar em meio a uma tempestade estrondosa e cheia de relâmpagos. Mas para surpresa e espanto dos finalistas, o escolhido foi o terceiro quadro, o que retratava a violência das ondas contra o rochedo.. Indignados, os dois pintores que não foram escolhidos, questionaram o juiz que deu o voto de desempate:
- Como este quadro tão violento pode representar a paz, Sr. Juiz?
E o juiz, com uma serenidade muito grande no olhar, disse:
- Vocês repararam que em meio à violência das ondas e à tempestade há, numa das fendas do rochedo, um passarinho com seus filhotes dormindo tranqüilamente?
E os pintores sem entender responderam:
- sim, mas... antes que eles concluíssem a frase, o juiz ponderou: - Caros amigos, a verdadeira paz é aquela que mesmo nos momentos mais difíceis nos permite repousar tranqüilos.
Talvez muitas pessoas não consigam entender como pode reinar a paz em meio à tempestade, mas não é tão difícil de entender.
Considerando que a paz é um estado de espírito, podemos concluir que, se a consciência está tranqüila, tudo à volta pode estar em revolução que conseguiremos manter nossa serenidade. Fazendo uma comparação com o quadro vencedor, poderíamos dizer que o ninho do pássaro que repousava serenamente com seus filhotes, representa a nossa consciência A consciência é um refúgio seguro, quando nada tem que nos reprove. E também pode acontecer o contrário: tudo à volta pode estar tranqüilo e nossa consciência arder em chamas. A consciência, portanto, é um tribunal implacável, do qual não conseguiremos fugir, porque está em nós. É ela que nos dará possibilidades de permanecer em harmonia íntima, mesmo que tudo à volta ameace desmoronar, ou acuse sinais de perigo solicitando correção.
Sendo assim, concluiremos que a paz não será implantada por decretos nem por ordens exteriores, mas será uma conquista individual de cada criatura, portas à dentro da sua intimidade.
Promessas que se fazem…
... por vezes sérias outras vãs e sem pensar!
Mas são essas mesmas promessas
que inúmeras vezes te impelem a avançar…
…te obrigam a sair dos dias escuros
em que a imaginação se esconde e a inspiração teima em te abandonar,
em que a mente vagueia e no abismo teima em se debruçar!
É então que pairam no espírito essas promessas por cumprir…
…e por mais afazeres que te ocupem…sabes que não podes fugir…
E que só depois delas concretizadas… conseguirás, por fim… dormir!
Beijinhos :)
DMN/2008