|
Poesia, leitura, teatro, musica, cinema, passear com a família...
CARTA A MIM MESMA
Hoje, acordei de manhã e vi-me especial. Assim, especial só para mim. Libertei-me de todas as arenas empoeiradas que me sufocavam a garganta em silêncios bafejados de espadas afiadas, mergulhadas num medo inseguro do qual me acuso. Agora é tempo de arrumar as gavetas do medo, divisões certeiras conjugadas em mim. Daqui a uns anos vou divorciar-me de outros anos e voltar a casar com os anos do sorriso, aquele sorriso em que me revelo por inteiro, quando vejo uma criança ou cheiro o alecrim que está no roçar da minha rua. A minha rua é tão bonita de flores e árvores e bancos de jardim! A rua que foi de mim, dos meus filhos e, agora, dos meus netos. É uma rua de descendentes, de amores-perfeitos em corações, às vezes, desfeitos… Vou aprender a voar nas asas de um pássaro qualquer, para entregar recados de amor, recados de mim, retalhados em linhas quadradas num caderno jasmim. Logo a seguir, quero mais coisas! Estou tão estonteante nestas minhas ideias que quero transformá-las em cafés da manhã, mesmo que esses cafés não sejam mais que um simples iogurte onde sempre me hei-de beber.
E, um dia, caminharei em caminhos naturais Mundo só meu… Onde só eu poderei sair, sem entrar…
A ESQUINA DO PECADO
Não me perguntes o porquê da luz Se nunca viste as árvores de crescer Se nunca sentiste a sombra de seres folha Na aparente descrição de um corpo quieto
Não me perguntes por onde correm os rios Secos de artérias Se nunca escorregaste Pela encosta do pensamento E desmanchaste a esquina Do teu orgulho
Não me perguntes o porquê da luz Que se perpetua ao longo dos montes Das vinhas e dos carreiros Que a vida tece Independente da estrada De alcatrão ressequido Que o Homem fecunda No pecado de não saber estar vivo!
Manuela Fonseca
AS LÁGRIMAS DE UM PAI
Quantas lágrimas te caíram Nesses teus caminhos de fome E pobreza, pai? Quantas perguntas Não sabias fazer em idades De destinos que esperavas diferentes, pai? Quantos mares desbravaram Os teus segredos e medos, pai? Quantas dores se rasgaram no teu peito Imperfeito por nascença, pai? Quantas perguntas foram caindo E ficando por fazer em cada dia De uma infância a crescer, pai?
Quantas esperanças perdidas Em anos de fantasias De utopias De morrer em ansiedade…
Quantas batalhas ganharam Nessa tua luta dobrada Labuta de trabalhos intocáveis, pai? Quantas estrelas contaste à noite Antes do sono chegar Em dias de te arrasar, pai? Quantas refeições comeste a uma mesa De linho imaculado Num ímpeto de perdas e sorrisos Mal esgueirados, pai?
Quantas vezes pensaste No teu desconhecido pai Quando olhavas as palavras Ainda sem saberes ler, pai?
Quantas lágrimas engoliste Para não te sentires fraco, pai?
Amo-te, pai!
Manuela Fonseca
|
Para mim chuva é sempre poesia
Lá fora a chuva cai
Eu gosto de chuva, nela eu
vejo um pouco dos meus olhos,
lavo a minha alma,
limpo o meu coração.
A mesma chuva que tantos deprime
a mim alegra-me,
liberta-me, deixa correr
as minhas ânsias,
os meus medos,
os meus fantasmas,
A chuva tal como o mar é um ser especial
que Deus fez o favor de me oferecer.
Aqui dentro, dentro do meu peito
é só dôr, angustia e solidão.
Queria ir lá fora
apanhar chuva, deitar-me no chão.
Deixar a chuva molhar-me,
esquecer da vida
da dôr que me corrói
Esquecer do passado
quero apenas no silencio do momento
sentir o barulho das gotas
anestesiar o meu sentimento
NESTE DIA DE CHUVA TE DEIXO UM MILHÃO DE BEIJINHOS NO TEU LINDO CORAÇÃO
MUAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH