No sétimo vão tenho pão e vinho sobre a mesa, a mágoa acontece, e eu digo que o céu é um pano mal esticado.
Recordo o céu desta viagem, onde era suposto os peixes beijarem-se na boca, e talvez o horizonte seja um risco de faca. Existe um segredo que em nós santifica, no dia em que se descobriu o amor, e as rosas deveriam nascer nos peitos das mulheres.
Flávio, se digo que sangue é poesia, cada poema é um filho teu, digo-te também que desenhas palavras como quem inventa um silêncio a precisar de ser renovado.
De nada vale a solidão se não poder adormecer no fim da praia, enquanto me lês uns versos do Aleixo e quando um velho piano tocar, esgotam-se os minutos e há todo um desassossego que espera.
Nunca digas adeus. Some-te por entre o nevoeiro...
Este texto foi construído de alguns dos títulos dos textos do nosso Flávio Silver e que estão no livro que ele editou, chamado “Sétimo Vão”. Um livro que recomendo a todos com conhecimento de causa. Quer por conhecer o Flávio e a sua escrita daqui do Lusos, mas também porque já tive oportunidade de o ler.
Quem quiser adquirir este livro pode fazê-lo através de e-mail para flaviolopesdasilva@sapo.pt.
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Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego,
dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!
Natália Correia